quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Lituânia em tons coloridos

Depois de ler "A vida em tons de cinza" fui procurar fotos da Lituânia, especialmente a cidade de Kaunas, local onde a história de certa forma acontece. Digo certa forma, porque não conto com a Sibéria, região onde estava localizado os campos de refugiados.

Fico pensando como é possível um lugar que sofreu tanto com a invasão soviética ter resistido ao tempo, repleto de beleza?
Essa foi uma das histórias de guerra que mais me emocionou, e muito mais emocionante é observar essas imagens sabendo que esse lugar pertence a um povo que lutou, sofreu, mas em momento algum deixou de acreditar.


Deus abençoe a Lituânia!




















quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Mais Edvard Munch


Girl on a bridge

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Edvard Munch

Lendo "A vida em tons de cinza", de Ruta Sepetys, descobri Edvard Munch. Pintor norueguês e um dos precursores do expressionismo alemão.

"Quando passei em frente ao quadro, meus pés pararam de andar. Aquele rosto. Era fascinante, diferente de tudo o que eu já vira. Era o retrato de um rapaz feito em carvão. Os cantos de sua boca estavam virados para cima, mas, apesar do sorriso, a dor em sua expressão deixou meus olhos cheios de lágrimas. Os traços sutis de seus cabelos formavam um conjunto suave e ao mesmo tempo criavam fortes variações. Cheguei mais perto para ver melhor. Era perfeito. Como o artista havia conseguido imprimir tantos tons ao retrato sem uma pausa sequer, sem deixar nenhuma marca de dedo? Quem era aquele artista e quem era aquele rapaz? Olhei para a assinatura. Munch". (Trecho do livro)

Não sei qual é o quadro que a personagem cita na história, mas procurando conhecer as obras de Munch fiquei impressionada com o seguinte quadro, que segundo informações seria um auto-retrato do artista.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

The end - Marcelino Freire

Os caixões norte-americanos são melhores, ela me disse. E insistiu.

Eu que não conheço nada igual. Nunca viajei para outros mundos, eu não sei o que é a vida. Os caixões americanos são de primeira classe, o seu marido morreu por lá, teve essa sorte. Já morreu no céu, My God.

Disse-me mais: sobre veludos, cetins, nuvens envolvendo o defunto – a qualidade da madeira, a qualidade dos frisos, o verniz. Infinitamente eles enterram melhor, velam e zelam melhor. Choram melhor, entregam melhor os seus mortos à vida eterna – vida ainda mais rica do que essa que eles vivem, amém.

Deus é americano, ela me disse. Deus mora em cima daqueles prédios enormes de Nova York. Deus é King Kong, é Hollywood.

Disse-me e disse-me mil provas, mostrou mil estatísticas. Cada povo com sua técnica de assentar, encriptar, enlousar, recolher em sepultura, recolher na vala comum. “Welcome” ao que a terra há de comer não é pra todo mundo. Somos terceiro em tudo. Urubus subdesenvolvidos.

Deixa de drama, disse ela. Não estamos em guerra, nem severamente discutindo. A verdade é que os Estados Unidos unem como ninguém a matéria e o espírito. Sabem se importalizar. Talvez porque sejam também campeões em matar, têm tecnologia nuclear, brincam de enviar mísseis para todo lugar, detectam onde as bombas devem estourar – se aqui ou em Bagdá. Se em Kosovo ou Hiroshima. Vietnã, Moscou ou Pernambuco.

“Mas por que estamos perdendo tempo com iso?”, era assunto morto para ela. A morte sem mais mistérios. A morte é uma ciência, indiscutível.

Os americanos são os americanos, ponto final.

Respeitam o próximo, morto ou vivo. Indiferentes de nós, que não temos onde cair. Indiferentes de nós, pobres, coitados, mortais.

Haverá por lá alguém que tenha apenas uma rede para o último descanso? Duvido. Ou que, enrolado no jornal, seja incinerado no lixo?

Ela ficou em silêncio, fúnebre por um minuto.

Como serão nos Estados Unidos, por exemplo, os nossos caixões para recém-nascidos? Rosas, azuis, brancos?

Nós exportamos mortes de todo tipo, tamanho a tamanho. Fome, sede, frio. Pelas quintas, sextas avenidas. Corpos espalhados pela rua, caixotes pelo Nordeste do Brasil.

Calma, ela disse, calma. O que ela poderia fazer contra a realidade norte-americana? O fato é que lá tudo acaba bem, é um berço de ouro a cama funerária. Aqui os cemitérios vivem sem nenhum padrão, favelas de ossos, é verdade, favelas de ossos.

Enterramos mal, ponto final. Despachamos mal, ponto final. Não temos nenhuma educação. Meu Deus, morrem fora da escola as nossas crianças. Lá não, até nisso são cuidadosos e desenvolvidos. Estão na escola crianças que matam outras crianças. As mortes são psicológicas, nada reais. Assassinos, heróis de guerra, neuróticos por efeitos especiais.

Quis perguntar onde o marido dela foi enterrado. Não perguntei, nem ela me disse. Mas pra quê?

Donos da terra, só os americanos descansam em paz.

Caminhos - Raul Seixas

Caminhos

Voce me pergunta aonde eu quero chegar
Se há tantos caminhos na vida
E pouca esperança no ar e até a gaivota que voa
Já tem o seu caminho no ar
O caminho do fogo é a água,
o caminho do barco é o porto,
o do sangue é o chicote,
o caminho do reto é o torto.
O caminho do bruxo é a nuvem,
o da nuvem é o espaço,
o da luz é o túnel,
o caminho da fera é o laço.
O caminho da mão é o punhal,
o do santo é o deserto,
o do carro é o sinal,
o do errado é o certo.
O caminho do verde é o cinzento,
o do amor é o destino,
o do sexto é o cento,
o caminho do velho é o menino.
O da agua é a sede,
o caminhodo frio é o inverno,
o do peixe é a rede,
o do frio é o inferno.
O caminho do risco é o sucesso,
o do acaso é a sorte,
o da dor é o amigo,
o caminho da vida é a morte.

Caminhos II

Assim como
Todas as portas são diferentes
Aparentemente
Todos os caminhos são diferentes
Mas vão dar todos no mesmo lugar
Sim

O caminho do fogo é a água
Assim como
O caminho do barco é o porto
O caminho do sangue é o chicote
Assim como
O caminho do reto é o torto
O caminho do risco é o sucesso
Assim como
O caminho do acaso é a sorte
O caminho da dor é o amigo
O caminho da vida é a morte

E você ainda me pergunta aonde eu quero chegar
Se há tantos caminhos na vida
E pouquíssima esperança no ar e até a gaivota que voa
Já tem o seu caminho no ar
O caminho do risco é o sucesso,
o do acaso é a sorte,
o da dor é o amigo,
o caminho da vida é a morte.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Palavra - Rubem Braga

Tanto que tenho falado, tanto que tenho escrito _ como não imaginar que, sem querer, feri alguém? Às vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer, uma hostilidade surda, ou uma reticência de mágoas. Imprudente ofício é este, de viver em voz alta.
Às vezes, também a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada dia; a sonhar um pouco, a sentir uma vontade de fazer alguma coisa boa.
Agora sei que outro dia eu disse uma palavra que fez bem a alguém. Nunca saberei que palavra foi; deve ter sido alguma frase espontânea e distraída que eu disse porque senti no momento _ e depois esqueci.
Tenho uma amiga que certa vez ganhou um canário e o canário não cantava. Deram-lhe receitas para fazer o canário cantar; que falasse com ele; cantarolasse; batesse alguma coisa ao piano; que pusesse a gaiola perto quando trabalhasse em sua máquina de costura; que arranjasse para lhe fazer companhia, algum tempo, outro canário cantador; até mesmo que ligasse o rádio alto durante uma transmissão de jogo de futebol... mas o canário não cantava.
Um dia a minha amiga estava sozinha em casa, distraída, e assobiou uma melodia de Beethoven _ e o canário começou a cantar alegremente. Haveria alguma ligação secreta entre a alma do artista e o pequeno pássaro?
Alguma coisa que eu disse distraído _ talvez palavras de algum poeta antigo _ foi despertar melodias esquecidas dentro da alma de alguém. Foi como se a gente soubesse que de repente, num reino distante, uma princesa muito triste tivesse sorrido. E isso fizesse bem ao coração do povo; iluminasse um pouco as suas pobres choupanas e as suas remotas esperanças. (Novembro, 1959)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Férias - Marian Keyes

Sinopse:

Rachel Walsh tem 27 anos e a grande mágoa de calçar 40. Ela namora Luke Costello, um homem que usa calças de couro justas. E é amiga - pode-se mesmo dizer muy amiga - de drogas. Até que a sua vida vai para a Cucuia e ela, na marra, para o Claustro - a versão irlandesa da Clínica Betty Ford. Ela fica uma fera. Afinal, não é magra o bastante para ser uma toxicômana, certo? Mas, olhando para o lado positivo da coisa, esses centros de reabilitação são cheios de banheiras de hidromassagem, academias e artistas semifissurados (ao menos ela assim ouviu dizer). De mais a mais, bem que já está mesmo na hora de tirar umas feriazinhas. Rachel encontra mais homens de meia-idade usando suéteres marrons e sessões de terapia em grupo do que poderia supor a sua vã filosofia.

Trechos do livro:

"Perder um emprego era uma coisa, porque eu sempre poderia conseguir outro. Mas perder um namorado... bem..."

"Já provamos e passamos por tanto, amada, atravessando uma fenda tão larga, que nada nos surpreende mais". - retirado do poema "Advento" de Patrick Kavanagh.

"A vida não andava nada fácil nos últimos tempos. Pouco espaço para manobrar o carro, por assim dizer".

"Olhe para o que as pessoas fazem, não para o que dizem".